sábado, 1 de dezembro de 2012

Alô

Estava eu em uma das minhas noites monótonas de sábado, quando ouço meu celular tocar.
-Alô!
Eram dois amigos meus. Me fizeram um convite que a priori imaginei ser brincadeira, só podia ser. Ainda mais vindo de amigos que tanto brincam com a vida. Mas não era, era real.
Me perguntaram se eu queria ir pra praia com eles AMANHA. Eles haviam acabado de decidir que queriam ir pra praia pra curtir, se divertir. Me fizeram propostas irrecusáveis, que qualquer pessoa em sã conciencia não negaria. Mas eu, boba, neguei.
Mesmo assim, contrariando a lógica da razão perguntei aos meus pais se havia alguma breve esperança de que eu pudesse ir, mas eu já sabia a resposta. Era obviamente não. Ainda mais pelo fato de que no amanha eu faria uma prova importante, que me daria talvez a chance de ter algo a mais no meu curriculum.
Desliguei o telefone e fui para a sala e fazer o meu singelo pedido. Eles disseram que me ligariam dentro de alguns segundos, então eu havia de ser breve. Disse a minha mãe:
- Mãe, eles me convidaram para ir para a praia amanha! Assim do nada. Deu vontade e eles vão.
Não houve nem um pedido, foi apenas uma indireta. Mas minha mãe seguindo o que era pra ser seguido disse que não... mas eu já esperava. Já esperaa não pelo fato de achar que meus pais não deixariam porque são chatos e cafonas. Mas porque realmente eu tinha um compromisso importante que não poderia ser adiado e foi tudo as pressas, como diz o ditado "muito em cima da hora". Eu entendia bem isso.
Voltei ao meu quarto e esperei a ligação deles novamente. Tocou o celular:
- Bárbara? Diz que você não vai fazer a prova!
Juro, minha vontade era falar: " Estou arrumando as malas já! que horas vocês passam aqui?" Mas não. Expliquei a eles que estava muito proximo do dia, e que eu teria que me organizar para fazer uma viagem dessa, que embora fosse rápida, necessitava de uma antecedência da minha parte. Eles compreenderam que nao era tão fácil pra mim quanto parecia ser... E logo em seguida um deles me disse algo que não me sai da cabeça, e é o motivo pelo qual eu escrevi essa enorme narrativa! Ele me disse:
- Quando você for mais velha, da idade dos seus pais, voce vai olhar pra tras e pensar o que? Que ficou dormindo enquanto a vida passava? Vamos curtir, vamos viajar, vamos viver!"
E embora fossem palavras tão clichês e bobas, me tocou. Me tocou pelo fato de que eles tem razão! Eu quero ter histórias pra contar aos meus filhos, quero ter momentos pra lembrar, chorar de rir novamente, quero viver! E nesse meu ano, não foi o melhor dos anos. PErdi muita coisa e deixei muita coisa passar sem que eu percebesse.
Eu quero viver. Sim eu quero. Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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